Associação Cavaleiros da Cultura

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"A leitura assumiu para mim a maior relevância, nela reconheço elemento indispensável à formação da juventude".
Oscar Niemeyer

Cuidados com os cavalos da Cavalgada

por Dr. Leonardo Rodrigues de Lima*

A cavalgada é um esporte eqüestre bastante difundido no mundo e recebe várias denominações de acordo com a região (tropeada, romaria, comitiva, exterior, etc.). Para que seja praticada com prazer, os animais devem estar em bom estado de saúde antes, durante e após a cavalgada. Para que isso seja garantido, aí vão algumas dicas importantes:

Alimentação:
Embora sem sentido competitivo, a cavalgada se assemelha ao enduro eqüestre de regularidade em se tratando do tipo de exercício praticado pelo cavalo. Um exercício de baixa intensidade e de longa duração tem como característica o metabolismo aeróbico, ou seja, os músculos queimam energia utilizando o oxigênio do ar respirado.

A energia utilizada por esses músculos vem da queima de gordura armazenada e dos ácidos graxos voláteis produzidos no intestino grosso por bactérias a partir da fermentação das fibras do capim. Por outro lado, o exercício praticado por animais de corrida, provas funcionais e salto tem como característica a alta intensidade e a curta duração, sendo o metabolismo muscular do tipo anaeróbico.

Nesse tipo de esforço os músculos utilizam como energia os açúcares provenientes da dieta armazenados na própria fibra muscular ou no fígado. Esses açúcares são fornecidos nas dietas à base de grãos, ou seja, ração. Portanto, ao contrário do que se imagina, a alimentação de cavalos de cavalgada deve basear-se não no fornecimento de ração, mas em uma boa forrageira. Contudo, a ração também é importante para o fornecimento da energia utilizada nas primeiras horas do exercício.

Como fonte de fibras fermentáveis, os fenos de gramíneas de boa qualidade são excelentes, além da facilidade de armazenamento e transporte nos veículos de apoio às cavalgadas. Na ausência do feno, um capim verdejante de boa qualidade fornecerá a energia necessária para a maior parte dos percursos.Durante o fornecimento do alimento, alguns cuidados devem ser tomados:

Exercício.
O treinamento dos animais é fundamental para a resistência aos longos percursos. Comece sempre com pequenos trechos e aumente gradativamente a distância. Inicialmente 30 minutos de exercício ininterruptos ao trote ou marcha são suficientes. Esse programa deve ser mantido por até 2 semanas, quando então o tempo de trote ou marcha poderá ser aumentado para 1 hora até completar 1 mês. Após o primeiro mês, o treinamento pode se estender por até 2 horas, lembrando sempre que esses períodos dependem da temperatura ambiente e da topografia do terreno. No terceiro mês de treinamento períodos de 2 horas podem ser adicionados ao programa. No entanto intervalos de descanso de no mínimo 30 minutos devem ser garantidos.

Um aspecto fundamental do treinamento ou mesmo durante a cavalgada é o acesso dos animais a água. Antigas crenças que durante o trabalho os animais não devem beber água são completamente descabidas. Durante um dia de cavalgada um cavalo pode perder até 30 litros de liquido pela sudorese. Além da água, grande quantidade de sais também são perdidos e devem ser repostos ao animal através do fornecimento de misturas eletrolíticas, na dieta e na suplementação mineral. Grande parte desses sais pode ser reposta pela simples ingestão de capim verde.

O Transporte:
O transporte de cavalos de cavalgada tradicionalmente tem sido feito em caminhões boiadeiros. Tais veículos podem perfeitamente servir a esse propósito desde que alguns cuidados sejam tomados:

Ferrageamento:
O ferrageamento é fundamental para o conforto do animal e mesmo do cavaleiro durante as cavalgadas. As ferraduras devem ser colocadas pelo menos 2 ou três dias antes do início do evento para que o animal se adapte e para que dê tempo de corrigir possíveis problemas antes da viagem. O tipo de ferradura deve ser escolhido com base nas características individuais de cada cavalo. Em geral as ferraduras com pinças roladas e guarda-cascos laterais são preferidas para minimizar o esforço do membro durante a troca do passo. Ferraduras devem ser bem apoiadas na região dos talões (parte de trás do casco) devendo ser garantida uma extensão de até 1 cm além das bordas. Isso irá evitar a hiper-extensão do membro, principalmente em terrenos irregulares.

A proteção da sola é outro aspecto fundamental do ferrageamento. Contusão na sola é a principal causa de afastamento dos animais durante as cavalgadas. Palmilhas apropriadas podem ser colocadas entre o casco e a ferradura, impedindo a contusão da sola principalmente por pedras.

Finalmente, a utilização de serviços de ferradores profissionais deverá garantir aos animais a colocação apropriada e a escolha do melhor tipo de ferradura para cada tipo de terreno a ser percorrido.

Tipo de sela
O tipo de sela para ser usada em cavalgadas deve levar em conta as preferências pessoais do cavaleiro. No entanto, o conforto do cavalo deve ser prioridade quando se escolhe uma sela para cavalgada. A sela deverá ser o mais leve possível. Além disso, o forro inferior (suador) deverá ser espesso e bem moldado para garantir uma distribuição uniforme da pressão sobre o dorso do animal.

A manta colocada entre a sela e o animal deverá ser espessa e macia para que absorva o impacto do cavaleiro sobre o dorso. A colocação de um couro de cabrito curtido com os pêlos voltados para baixo (em contato com os pêlos do animal) entre a manta e o cavalo evita a absorção de suor pela manta, evitando o acúmulo de peso.

Por fim a colocação adequada da sela é importantíssima para o bem estar do cavalo. A sela deve colocada entre o dorso e a cernelha. A cilha deve ser colocada cerca de 5 dedos atrás dos codilhos (cotovelos). Quando houver barrigueiras, elas deverão ser somente ajustadas e nunca apertadas. Se apertadas, elas prejudicarão a função dos músculos abdominais importantes para a movimentação.

Antes do aperto da cilha, os dedos da mão esquerda do cavaleiro serão introduzidos entre a manta e a cernelha do animal. Isso criará um espaço, evitando que a borda da manta seja pressionada contra a cernelha.

* Dr. Leonardo R. de Lima é Médico Veterinário com Residência em Medicina e Cirurgia de eqüinos pelo Jockey Club de São Paulo 1995, Membro da American Association of Equine Practitioners, EUA, Professor de Cirurgia de Grandes Animais da UNIPAC, Juiz de Fora, MG e Diretor do Hospital Veterinário Estrada Real, Juiz de Fora, MG.

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