Associação Cavaleiros da Cultura

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"A leitura assumiu para mim a maior relevância, nela reconheço elemento indispensável à formação da juventude".
Oscar Niemeyer

FEBRE MACULOSA, RISCO IMINENTE

por Dr. Gian Coutinho

A febre maculosa é uma doença febril aguda, de gravidade variável, causada por bactéria Rickettisia rickettsii e transmitida por carrapatos infectados. Os carrapatos (vetores) são da espécie Amblyomma cajennense, conhecidos como carrapato estrela, carrapato de cavalo, micuins, vermelhinhos, que são hematófagos e precisam de três hospedeiros para completar seu ciclo. O homem é intensamente atacado por esses carrapatos nas suas fases de larva e ninfa.

A febre maculosa brasileira é também chamada febre maculosa de São Paulo. A primeira descrição clínica dessa doença foi feita em 1899 em caso ocorrido na região montanhosa do noroeste americano. Nos Estados Unidos a denominação é de febre maculosa das montanhas rochosas. A partir de 1930 a doença passou a ser identificada focalmente em diversos países como Canadá, México, Panamá, Colômbia e Brasil.

Os ambliomas são responsáveis pela manutenção da Rickettsia rickettsii na natureza, pois ocorre transmissão transovariana e transestadial. Esta característica permite ao carrapato permanecer infectado durante toda sua vida e também por muitas gerações após uma infecção primária.

A transmissão ocorre pela picada do carrapato infectado. Para que a rickettsia se reative e possa ocorrer a infecção no homem, há a necessidade que o carrapato fique aderido por algumas horas (4 a 6 horas). Pode ocorrer também por lesões na pele, pelo esmagamento do carrapato entre os dedos.

O homem leva de 2 a 14 dias para manifestar os primeiros sintomas que são: febre moderada a alta que dura de 2 a 3 semanas, acompanhada de dor de cabeça (cefaléia), calafrios, congestão das conjuntivas. Manchas rosadas nas extremidades em torno do punho e tornozelo onde se irradia para tronco, face, pescoço, palmas e solas. A doença também pode ocorrer assintomática ou com sintomas brandos. A doença não transmite de uma pessoa para outra, o carrapato permanece infectado por toda sua vida (aprox. 18 meses). A maior incidência da doença ocorre entre primavera e verão.

Para evitar a doença devemos saber que estamos em área endêmica para febre maculosa, então devemos vistoriar o corpo com freqüência de 3 hs, pois quanto mais rápido retirar o carrapato menor o risco de contrair a doença

Calças compridas, com parte inferior dentro de botas e se possível fitas adesivas na parte superior da bota, além do uso de roupas claras, para facilitar a visualização do carrapato, além disso nem pensar em esmagar o carrapato entre as unhas.

O combate aos carrapatos normalmente não é feito na época correta que deveria iniciar em março onde eles estão em uma fase de larva e ninfa e são vulneráveis. O combate pode ser realizado utilizando produtos de aspersão (banhos), que agem entrando em contato direto com o carrapato, por isso deveremos ter uma diluição adequada e manter o pulverizador homogenizado, priorizando áreas do corpo do cavalo onde os carrapatos se instalam em maior quantidade (entre os membros anteriores e posteriores, além de todo corpo); estes banhos devem ser realizados semanalmente. Existem no mercado, produtos pour on que devem ser distribuídos na região do dorso lombo; estes produtos são absorvidos pelo organismo do cavalo, que ao ser sugado pelos carrapatos fazem sua função.

Dr. Gian Coutinho é veterinário, professor da Universidade Presidente Antônio Carlos na Faculdade de Medicina Veterinária, membro da Associação Brasileira de Veterinários Eqüinos, da Associação Argentina de Veterinários Eqüinos e da American Association Equine Practitioners.

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