Associação Cavaleiros da Cultura
"A leitura assumiu para mim a maior relevância, nela reconheço elemento indispensável à formação da juventude".
Oscar Niemeyer
por Dr. Gian Coutinho
O carrapato do cavalo é
conhecido popularmente como carrapato estrela e está amplamente difundido pelo Brasil. Na região sudeste os eqüídeos (eqüinos , muares e asininos) se constituem os principais hospedeiros desse carrapato. Entretanto o carrapato do cavalo (Amblyomma cajennense) se mantém em áreas livres de cavalos parasitando outras espécies como, por exemplo, capivaras e outros animais silvestres. Dada sua baixa especificidade, assume importante papel na transmissão de patógenos entre os animais e o homem, dentre eles a febre maculosa.
Há um predomínio de larvas na região sudeste nos meses de abril a julho, ninfas de julho a outubro e adultos de outubro a março. Nos meses em que as larvas e ninfas estão presentes, erradamente, não são realizados banhos carrapaticidas. Pois nessa fase o tamanho desse ácaro é reduzido e não desperta atenção do criador, pois os mesmos ficam entre os pêlos. Durante os meses de primavera e verão, quando os estágios adultos predominam, os carrapatos de tamanho maior chamam a atenção do criador, são as fêmeas ingurgitadas. Por essa razão, os banhos carrapaticidas predominam nesta época.
O banho carrapaticida efetivo deve disponibilizar no mínimo 5 litros de calda carrapaticida por eqüino adulto, seguindo as recomendações do fabricante. No entanto, observa-se que os criadores banham esses animais com volumes inferiores a este citado.
Propõe-se através de estudos que os banhos carrapaticidas deverão ser semanais durante os meses de abril a outubro, quando predominam as formas de larva e ninfa desse carrapato.
Os banhos carrapaticidas não devem omitir orelhas e divertículo nasal dos eqüinos, as crinas das éguas devem ser mantidas aparadas para facilitar a aplicação do carrapaticida nesta área do corpo.
Em áreas infestadas, o banho carrapaticidas com piretróides deve, impreterivelmente, abranger todo período de predomínio de larvas e ninfas (abril a outubro). Possivelmente após um ano de controle abrangendo esses meses, a carga de carrapatos adultos na pastagem estará reduzida.
Não obstante, é fato que pastagens “sujas” que promovem micro clima favorável para desenvolvimento deste carrapato.
Como estas fases imaturas de desenvolvimento do carrapato coincide com a estação de seca (menores índices pluviométricos) em grande parte do Brasil (abril a outubro) a possibilidade de se repetir os banhos carrapaticidas a cada sete dias, com satisfatória eficácia, é maior nessa época do ano. As chuvas inviabilizam os banhos e nesta ocasião, caso ocorra, o banho deverá ser transferido para o dia seguinte.
Dr. Gian Coutinho é veterinário, professor da Universidade Presidente Antônio Carlos na Faculdade de Medicina Veterinária, membro da Associação Brasileira de Veterinários Eqüinos, da Associação Argentina de Veterinários Eqüinos e da American Association Equine Practitioners.