Associação Cavaleiros da Cultura
"A leitura assumiu para mim a maior relevância, nela reconheço elemento indispensável à formação da juventude".
Oscar Niemeyer
Brenildo Ayres do Carmo
Natal de 1909. Exatamente em 25 de dezembro, Juiz de Fora ganha valioso presente oferecido por um grupo de eméritos intelectuais:
- Criada a ACADEMIA MINEIRA DE LETRAS .
A primeira diretoria formava-se sob a presidência de Eduardo de Menezes – Cadeira 17, tendo como Secretário Geral o Professor Antonio Machado Sobrinho- Cadeira 31; Secretário Executivo Brant Horta- Cadeira 10; Tesoureiro Belmiro Braga - Cadeira 08; Bibliotecário Heitor Guimarães –Cadeira 22 e compondo as Comissões de Contas, Redação e Bibliografias, os acadêmicos Dilermando Cruz- Cadeira 15; Luiz de Oliveira- Cadeira 30; Lindolpho Gomes- Cadeira 29; Albino Esteves – Cadeira 01; Amanajós de Araújo – Cadeira 05 e José Rangel – Cadeira 28.
Oportuno ressaltar a liderança, o entusiasmo e a dedicação de Machado Sobrinho, para o êxito deste importante acontecimento.
A instituição da Academia Mineira de Letras, nas palavras corretas do historiador rionovense Paulino de Oliveira, "veio consolidar o prestigio de que Juiz de Fora gozava de ser a cidade mais culta e civilizada de Minas, a justificar mais uma vez o honroso titulo que Arthur Azevedo lhe havia dado: – Atenas Mineira".
Augusto de Lima foi homenageado com o titulo de Presidente de Honra da nobre Academia Mineira de Letras, cuja instalação aconteceu em sessão solene na sede da Câmara Municipal de Juiz de Fora, em 13 de maio de 1910.
No Congresso Mineiro, em Belo Horizonte, em sua 5ª legislatura, o deputado Sena Figueiredo em sessão de 30 de julho de 1910 apresentou o Projeto nº 96, dispondo :
" O Congresso Legislativo do Estado de Minas Gerais, Decreta:
Art. 1º - É considerada de utilidade pública a Academia Mineira de Letras fundada em Juiz de Fora.
Art. 2º - É o Presidente do Estado autorizado a mandar imprimir, gratuitamente na Imprensa Oficial do Estado, anualmente, os Anaes da citada Academia .
Em pouco tempo, a nobre instituição conseguiu prestígio com a admissão de renomados escritores e poetas residentes em Juiz de Fora, em outras cidades da região e Belo Horizonte, cujos nomes, além dos mencionados acima, figuram na honrosa relação de fundadores das 40 cadeiras existentes, como os seguintes:
- Aldo Delphino – Cadeira 02 ; Alphonsus de Guimaraens -Cadeira 03; Álvaro da Silveira - Cadeira 04; Arduino Bolivar – Cadeira 06; Avelino Foscolo – Cadeira 07; Bento Ernesto Junior - Cadeira 09; Carlindo Lellis - Cadeira 12; Carlos Góes – Cadeira 11; Joaquim José do Carmo Gama – Cadeira 13; Costa Sena – Cadeira 14; Diogo Vasconcellos - Cadeira 16; Estevam Oliveira – Cadeira 18; Francisco Lins – Cadeira 19; Franklin de Almeida Guimarães – Cadeira 20; Gilberto de Alencar – Cadeira 21; dom Joaquim Silvério de Souza - Cadeira 23; João Lucio Brandão – Cadeira 24; João Massena – Cadeira 25; José Eduardo da Fonseca – Cadeira 26; José Paixão - Cadeira 27; Mário de Lima – Cadeira 32; Mário Magalhães – Cadeira 33; Mendes de Oliveira – Cadeira 34; Navantino Santos – Cadeira 35; Nelson Senna – Cadeira 36; Olympio Rodrigues de Araújo – Cadeira 37; Paulo Brandão –Cadeira 38; Plínio Motta – Cadeira 39; Pinto de Moura - Cadeira 40.
ESCRITORES RIONOVENSES PARTICIPAM DA FUNDAÇÃO
Da cidade de Rio Novo, dois poetas, escritores
e jornalistas, participaram da fundação da Academia: - Carmo Gama – Cadeira 13 ( 1860-1937) - empossado em 15 de agosto de 1910, em sessão solene sob a presidência do dr. Eduardo de Menezes. Recebeu brilhante saudação nas palavras do acadêmico José Rangel e escolheu como patrono o historiador Pedro Xavier da Veiga, fundador e primeiro diretor do Arquivo Público Mineiro e da Revista do Arquivo, autor das Efemérides Mineiras, obra que Carmo Gama denominou de " carinhoso gasalho contra os dentes vorazes do olvido".
Outro rionovense fundador da Academia, Olympio Rodrigues de Araújo - (1860-1923) ingressou em 01 de julho de 1911 em reunião solene com a presença do acadêmico Sylvio Romero, representante da Academia Brasileira de Letras.
Olympio Araújo, teve como padrinho Carmo Gama e elegeu para patrono da Cadeira 37, Manoel Basílio Furtado - (1826-1903) - um dos mais nobres e ilustres nomes da história de Minas Gerais.
O jornal " 109" editado em Rio Novo, em sua edição de 01 de dezembro de 1918, nº 33, ano I, registra as fls. 02, " ... Vítima da epidemia reinante , influenza espanhola – faleceu na cidade vizinha de Juiz de Fora, exma. sra. d. Ana Machado Sobrinho, virtuosa esposa do distinto homem de letras professor Machado Sobrinho diretor do Colégio Lucindo Filho e Instituto Comercial Mineiro, e que foi durante algum tempo diretor do Instituto Dr. Basílio Furtado, desta cidade de Rio Novo."
UM EQUÍVOCO A SER CORRIGIDO
Oportuno salientar, tão somente a titulo de colaboração, que um equívoco está ocorrendo no site da Academia Mineira de Letras, devendo ser devidamente corrigido, principalmente neste ano de comemorações do centenário. Trata-se da transcrição do nome do patrono da Cadeira nº 37 fundada por Olympio Araújo – o nome correto é Manoel Basílio Furtado e não Manoel Basílio da Gama.
Talvez o equivoco seja devido à semelhança quanto ao nome do patrono da Cadeira 39, ou seja, Basílio da Gama.
Manoel Basílio Furtado, médico formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, dedicou-se ao estudo da historia natural principalmente, zoologia, antropologia e arqueologia indígena, tendo sido atuante colaborador do Museu Histórico Nacional. Correspondia com diversos cientistas nacionais e estrangeiros de sua época. Faleceu em 03 de maio de 1903, e sepultado no cemitério municipal de Rio Novo, onde residia.
A Academia Mineira de Letras de Juiz de Fora, em 25 de dezembro de 1914, presente a maioria dos acadêmicos, deliberou sua transferência para Belo Horizonte, elegendo-se uma nova diretoria com os residentes na Capital.
As informações acima foram obtidas pelo autor da pesquisa, nas obras :
1) História de Juiz de Fora, Efemérides Juizforanas e Crônicas - de autoria do historiador Paulino de Oliveira;
2) Jornal RIO NOVO , semanário editado naquela cidade, pelo proprietário e redator Carmo Gama;
3) Site da Academia Mineira de Letras -2009